Todo mundo conhece a frese: “a criança aprende brincando”! E é verdade! A brincadeira é uma das melhores formas de estímulo para que a criança se desenvolva em todos os aspectos: físico, motor, cognitivo. Brincar faz parte da infância e unir isso ao processo de evolução da criança é muito importante.

Para tratar desse assunto, entrevistamos a psicóloga Lisi Lisboa (Belo Horizonte, MG), especialista em Terapia Cognitivo Comportamental, que desenvolve jogos terapêuticos para crianças.

Quando uma criança necessita de terapia, é muito importante que ela se sinta acolhida pelo profissional para que os avanços sejam alcançados. Quanto mais prazerosa for a sessão, mais à vontade a criança vai ficar. Para isso, a brincadeira é um dos principais meios utilizados. Como afirma Lisi, “brincar é fundamental para o desenvolvimento infantil. Por meio das brincadeiras, podemos estreitar o vínculo com a criança e reforçar comportamentos, além de ensinar ou desenvolver habilidades”.

Como bem explica a psicóloga, “as possibilidades da prática clínica são muitas. É difícil nomear as principais maneiras de trabalhar o desenvolvimento de uma criança. Mas, de acordo com a minha experiencia, posso dizer que existem fatores comuns nas intervenções realizadas com esse público. Um destes fatores é o brincar e o jogar. Também é essencial estabelecer um vínculo com essa criança, montar um plano de intervenção voltado às suas necessidades e interesses e planejar intervenções que não sejam punitivas”. Outro ponto fundamental é sempre “dar apoio e orientação aos pais e/ou cuidadores e à escola”, destaca Lisi. É importante dizer que, para que haja evolução e sucesso no desenvolvimento, todos os envolvidos com a criança devem caminhar juntos. Falo aqui dos pais, avós, familiares, babá, escola, profissionais que acompanham a criança; todo mundo! O que acontece durante a sessão deve ser levado também para os outros ambientes.

Um ponto muito importante para estimular a criança, como ressalta a psicóloga, é, “em primeiro lugar, conhecer a criança. Aprender sobre o que ela gosta e não gosta, suas brincadeiras e jogos favoritos. Tendo essas informações, é possível adaptar o plano de tratamento aos interesses dela”. Além disso, trabalhar com o faz de conta também é fundamental!

“Brincar de faz de conta nos prepara para situações reais. Criar histórias estimula a socialização, a inteligência emocional, a criatividade e até mesmo a resolução de problemas”, afirma Lisi.

A psicóloga, pensando nisso, criou um jogo de cartas para ajudar no desenvolvimento infantil de crianças a partir de três anos. “O Caixola de Histórias” tem como objetivo principal desenvolver histórias. Ele é composto por 80 cartas, que são divididas em quatro categorias: sujeitos, verbos, lugares e emoções. São muitas as maneiras de jogar. Por exemplo, a criança pode pegar uma carta de cada categoria e montar uma frase ou criar uma história. Em seguida, ela pode tirar mais cartas e continuar desenvolvendo essa história. Outra opção é mudar a carta de emoção e perguntar para a criança: ‘o que pode ter acontecido para a emoção ter mudado?’. Se a criança for muito pequena, é possível trabalhar somente a categoria de emoções, ensinando o que cada uma significa e dando exemplos reais de quando ela já se sentiu daquela maneira. O interessante do jogo é a inclusão da categoria de emoções, pois, assim, a criança tem que adequar um sentimento a uma situação específica e isso é essencial para o desenvolvimento das habilidades sociais”, explica Lisi. Além disso, “todas as crianças, com ou sem atraso cognitivo, e suas famílias podem usufruir dos benefícios do jogo. Ele também é ideal para profissionais que estejam envolvidos no desenvolvimento de crianças e adolescentes”, destaca a psicóloga.

Jogo Caixola de Histórias

O que é bem legal é que o jogo não tem limite de idade. Como Lisi afirma, “alguns colegas de profissão têm utilizado o jogo com adultos e idosos, obtendo resultados positivos”.

O “Caixola de Histórias” é um exemplo de como o brincar pode ajudar no desenvolvimento. Lisi ressalta que “o jogo pode auxiliar no desenvolvimento de diversas habilidades. Para um bom desenvolvimento social, a criança precisa desenvolver o que é chamado de Competências Emocionais, ou seja, reconhecer as próprias emoções e também a de outras pessoas, além de conseguir manejar e acalmar suas emoções. Isso tudo pode ser trabalhado com o desenvolver das histórias no jogo, mas é importante que um adulto participe para guiar e ensinar tais questões”.

Sendo assim, papais e mamães, brinquem com seus filhos! Tenham um momento especial para a brincadeira. Sem perceber, vocês estarão ajudando no desenvolvimento do seu filho!

 

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