Na hora de escolher uma escola para colocar o filho, os pais sempre têm dúvidas, pedem indicações, conhecem várias; para então decidir qual a que melhor lhe atende! É uma escolha difícil, pois tem como base a segurança e a confiança.

Porém, essa escolha pode ser ainda mais difícil se a criança possuir alguma (por menor que seja) necessidade de adaptação. Pais com crianças especiais sabem do que estamos falando!

Conversamos com a pedagoga, especialista em educação especial, Christianne Mukai (Belo Horizonte, MG), que nos alertou sobre esse assunto.

Christianne Mukai e Raphael Sironi Gonçalves

 

Quando os pais resolvem procurar uma escola, é muito importante que, em primeiro lugar, escolham “um espaço onde a instituição e os profissionais estejam dispostos a buscar caminhos para se adaptarem às necessidades específicas de cada criança. Atender bem crianças com necessidades especiais tem sido busca incessante pelas instituições sérias em todo o Brasil e no mundo. Estar aberta a soluções já é um grande diferencial”, ressalta Christianne.

Como sabemos, a nossa sociedade está cada vez mais competitiva e excludente, infelizmente. O que se observa é que muitas escolas estão focadas, como afirma a pedagoga, na formação acadêmica, no bom resultado da estatística do ENEM e não na inclusão. “Muitos ainda não se conscientizaram que o diferente é parte integrante da sociedade e, como tal, merece atenção e respeito. Atender a estas dificuldades gera incertezas, desafios e custos”, explica Christianne.

É importante dizer aqui que, algumas escolas tentam sim realizar a inclusão. “No entanto, quase sempre, investem apenas nos espaços físicos. Isso não significa inclusão pedagógica porque não viabiliza avanço cognitivo do aluno. A inclusão demanda tempo, estudos específicos, recursos e busca de alternativas que correspondam às necessidades individuais dessas crianças”, destaca a pedagoga. A criança especial precisa ser atendida e acolhida para que ela também possa crescer e evoluir, dentro das suas limitações. Toda criança, por maior que seja a sua limitação, pode se desenvolver. Mas, para isso, precisa ser estimulada e, principalmente, amada dentro das suas dificuldades. Temos que ter essa consciência! Muitas escolas buscam vencedores! Mas, quem são os vencedores? O que é ser vencedor? Uma criança que evolui dentro de suas dificuldades não é uma grande vencedora?

Sabemos que, crianças com necessidades especiais precisam de um suporte diferenciado. O que muitos pais não sabem é que, como bem lembra Christianne, “toda instituição educacional deve oferecer e custear as despesas com um tutor capacitado, para acompanhar e atender àquelas crianças que necessitem desse profissional para que suas habilidades e competências sejam avaliadas e atendidas a contento, dentro do contexto da classe em que estiverem inseridas. De acordo com o Ministério da Educação (MEC), as escolas, tanto públicas quanto privadas, não podem recusar matrículas de alunos com qualquer deficiência, já que tal recusa é considerada crime. Além disso, nesses casos, as instituições estão proibidas de cobrar qualquer valor adicional. Também não podem ficar adiando, nem mesmo cancelar, suspender ou cessar a matricula de algum aluno, em virtude de sua deficiência”, afirma Christianne.

A Lei 13.146 (de 6 de julho de 2015), que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), altera a redação do artigo 8º, inciso I, da Lei 7.853 (de 24 de outubro de 1989). Vejam como ficou:

“Art. 8º –  Constitui crime punível com reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos e multa:

I – recusar, cobrar valores adicionais, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, em razão de sua deficiência”.

Muito importante dizermos que qualquer criança precisa da socialização. Ninguém se desenvolve sozinho! É claro que, muitas vezes, devido à limitação, algumas crianças não conseguirão fazer o mesmo que outras. Porém, para Christianne, “as escolas devem buscar a melhor inserção educacional, física e emocional da criança. A modalidade esportiva, por exemplo, pode ser escolhida de acordo com a condição física ou com a afinidade da criança. O importante é o aluno se sentir incluído e participante da classe em que estiver inserido”.

Precisamos, urgentemente, mudar o quadro atual! Como afirma a pedagoga, “devemos começar a preparar a sociedade e as instituições para trabalharem com a homogeneidade e não com a diversidade. No processo de inclusão escolar é preciso que haja uma transformação no sistema de ensino que busque beneficiar toda e qualquer pessoa, levando em conta a especificidade do sujeito e não mais as suas deficiências e limitações”.

Para isso, não basta só as escolas estarem dispostas. É preciso que os pais também entrem nesse processo. “Vivemos em uma sociedade cada vez mais egocêntrica e individualista. Para alterar esse quadro, construindo uma sociedade inclusiva, é preciso mudar essa concepção e cabe aos profissionais da educação promover um novo viés de pensamento das famílias, pautado na ética, democracia e cidadania. A conscientização de que todos possuem os mesmos direitos é necessária e urgente, até porque nenhuma família está imune às adversidades e, por obra do inesperado, mudar de lado no quadro da inclusão escolar não é o desejo de ninguém, mas é uma possibilidade”.

Um alerta: com o aumento do Bullying nas escolas, as crianças com alguma limitação ou necessidade especial têm sofrido muito. É um absurdo!  Os pais precisam estar atentos aos seus filhos. Qualquer mudança de comportamento deve ser avaliada. Os pais precisam estar mais atentos e presentes. “As escolas que realmente se preocupam com o Bullying e tem uma formação pedagógica consistente, procuram meios para resolver o problema, dando suporte e solução adequada, sem coagir as crianças nem os pais, sejam do aluno agredido ou dos agressores. Ao aluno que está sendo desrespeitado em sua integridade física, emocional ou moral, a escola precisa dar-lhe suporte psicológico, para que ele consiga resolver seu problema pessoal ou familiar, evitando, assim, que o fato se agrave e mine sua capacidade de relacionamentos saudáveis. Quanto aos agressores de qualquer ordem, a palavra-chave é responsabilidade. Os praticantes do Bullying precisam ser responsabilizados pelos atos praticados e as famílias desses alunos devem ser comunicadas, orientadas e as ocorrências compartilhadas. É um processo que envolve estudo e discussão entres os profissionais de educação da escola em parceria com as famílias. É muito importante lembrar que, antes de tudo, é preciso resgatar a autoestima desse aluno que está em sofrimento”, ressalta Christianne.

Como fica claro, não é fácil vivermos na sociedade atual. Mas, nada é impossível! Com paciência, esforço, persistência e muito amor, podemos sim alcançar o sucesso! Lembrem-se sempre, ter um filho especial, como o próprio nome já diz, é MUITO ESPECIAL! Vocês foram escolhidos para serem os pais dessa criança! Ao invés de olharem para as suas limitações apenas, vibrem com cada vitória, cada conquista! Seu filho é um vencedor e você não precisa provar nada para ninguém! Ame seu filho! Aceite suas limitações! E, tenham certeza, muito em breve, vamos ver uma mudança nesta nossa sociedade tão cruel!

*A foto foi autorizada pela responsável legal da criança!

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