Para começar a semana, quero falar de um assunto muito importante: bullying! Não dá mais para tratar esse assunto como brincadeira ou como algo inocente. É preciso conversar com as crianças sobre o bullying e ensiná-las (em casa, na escola) que isso não é legal! Que isso faz mal, que isso machuca e pode, inclusive, ser fatal! Se o outro não gosta, não é brincadeira!

Conversei com o Sandro Galvão, que escreveu o livro “Ao bullying dizemos: NÃO!”. Ele contou um pouco sobre a ideia do livro e falou sobre a importância do combate ao bullying. Confira e aproveite para conversar com o seu filho e/ou com seus alunos!

CANAL INFANTIL – Como surgiu a ideia de escrever o livro?

SANDRO GALVÃO – A ideia nasceu durante o ano letivo 2023/2024, enquanto dinamizava sessões de sensibilização sobre o bullying na escola básica de Mouriz, Porto, Portugal. Por essa altura, ocorreu um episódio real que me sensibilizou e imediatamente deu origem a uma canção criada por mim para ajudar as crianças a compreender melhor este fenómeno e melhor expressar o que sentem sobre o mesmo. A reação das crianças foi tão positiva e transformadora que percebi que havia ali algo maior. A partir dessa canção e das conversas que surgiram, realizou-se um videoclipe com as crianças que conjuntamente com outras atividades, mereceu a atribuição da distinção institucional do “selo escola sem bullying” à escola.

Como a canção conta uma história, em 2024 decidi fazer nascer em formato musico-literário infantojuvenil a história do Tomás — um menino tímido que encontra coragem através da empatia, da amizade e do diálogo. O livro cresceu, assim, diretamente do trabalho diário com as crianças e da vontade de oferecer a todos (crianças, pais, educadores e professores) uma ferramenta simples, pluriartistica, emocional e educativa.

CANAL INFANTIL – Qual a faixa etária indicada?

SANDRO GALVÃO – O livro destina-se sobretudo à faixa etária dos 6 aos 12 anos, sendo perfeitamente adequado ao 1.º ciclo (primeiros 4 anos de escola), mas sei que algumas educadoras de infância também o estão a aplicar com crianças mais novas no jardim de infância com sucesso. A linguagem acessível, as ilustrações emocionais e a estrutura narrativa permitem trabalhar o tema tanto em sala de aula como em família. Também é útil em contextos de intervenção psicológica ou ações de sensibilização escolar.

CANAL INFANTIL – Qual a importância de falar sobre o bullying com as crianças?

SANDRO GALVÃO – Falar sobre bullying desde cedo é essencial para que as crianças aprendam a reconhecer que comportamentos errados não podem ser considerados “brincadeira” e saibam a importância de adotar uma atitude protetora, como pedir ajuda. O silêncio e a vergonha são, muitas vezes, os maiores aliados do bullying.

Quando conversamos sobre o tema com naturalidade, ensinamos a identificar limites saudáveis, a desenvolver empatia e autoestima, a importância de procurar apoio de adultos de confiança e de perceber que ninguém deve passar por situações de agressão ou humilhação.

Quanto mais cedo se cria uma cultura de respeito e segurança emocional, mais protegidas ficam as crianças.

CANAL INFANTIL – Infelizmente, temos visto um aumento do bullying nas escolas e nas redes sociais. Como trabalhar para diminuir isso?

SANDRO GALVÃO – Podia aqui discorrer sobre o cyberbullying e a influência que o algoritmo tem na formação de interesses e de opinião mas ficar-me-ei por dizer que a prevenção do bullying exige atenção em três níveis: Educação, Acompanhamento e Comunidade.

As escolas e as famílias devem ensinar competências como empatia, respeito, assertividade e autorregulação emocional. Devem ainda agir rapidamente quando identificam sinais deste fenómeno. O apoio não deve ser reativo, mas continuado.

Fomentar ambientes seguros, seja presencialmente ou online, onde as crianças sintam que podem falar sem medo é também fundamental.

Claro está que as crianças observam o comportamento dos adultos. Assim como o seu oposto, quando adultos mostram respeito, cooperação e empatia, é isso que tendem a reproduzir.

CANAL INFANTIL – Quais os riscos do bullying na infância?

SANDRO GALVÃO – O bullying pode gerar consequências sérias tanto no imediato como a longo prazo. Muitas crianças começam por manifestar ansiedade, tristeza, baixa autoestima e dificuldades de concentração, o que frequentemente se reflete de forma negativa no rendimento escolar. Quando estas situações se prolongam no tempo, o risco aumenta. Podem surgir perturbações psicológicas mais profundas, como depressão, e num agravamento extremo podem mesmo conduzir a situações limite que nenhum adulto deseja ver uma criança enfrentar. Por isso, reconhecer os sinais e agir cedo é absolutamente essencial.

CANAL INFANTIL – Deixe uma mensagem para os pais.

SANDRO GALVÃO – A presença dos pais é, muitas vezes, o maior factor protetor que uma criança pode ter. Fortaleçam a autoconfiança e a autoestima dos vossos filhos, conversem com eles todos os dias e criem um espaço onde se sintam verdadeiramente ouvidos e acolhidos, sem medo de serem julgados. Estejam atentos a mudanças de comportamento, valorizem até as partilhas mais pequenas e mantenham uma relação próxima com a escola, porque a comunicação entre todos é decisiva. E claro que, se o vosso filho for vítima, agressor ou simples testemunha de bullying, há sempre uma oportunidade para ensinar, apoiar e orientar. Educar para a empatia é educar para a coragem. Quando família, escola e comunidade caminham lado a lado, nenhuma criança fica sozinha diante do bullying.

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