Sabia que 2026 é considerado o ano da Criatividade pelo World Creativity Organization? O debate sobre o desenvolvimento de habilidades como inovação, imaginação e resolução criativa de problemas por meio da criatividade é fundamental para instigar algo além da ‘expressão artística’ frequentemente vista. A prática muito estimulada com o ‘pensar fora da caixinha’ traz questões muito mais abrangentes, principalmente quando se precisa usar dela em ambientes que desafiam o comum.
Na infância, a fase de maior criatividade, as crianças são estimuladas o tempo todo. Contudo, é importante pensar em como essa criatividade pode ser usada de maneiras que sejam úteis no dia a dia delas. Na escola, a criatividade serve como um método de desenvolvimento, seja por meio de projetos interdisciplinares, atividades artísticas e culturais ou metodologias que incentivem experimentação, investigação e pensamento crítico.
Para isso, a Rede de Colégios do Santa Marcelina integra a formação integral em seu currículo porque entende que é essencial o crescimento da criança e adolescente com plena capacidade em todas suas esferas: Intelectual, física, emocional, social e cultural. Na esfera educacional, é fundamental incorporar a criatividade de forma estruturada, assim garantindo o desenvolvimento dos jovens durante seu ensino.
Conversei com a Jeckiana Alves de Alencar Araújo, coordenadora pedagógica da Rede de Educação Santa Marcelina, da unidade Palmas-TO.
CANAL INFANTIL – Qual a importância da criatividade na infância para a formação integral da criança?
JECKIANA ALVES – A criatividade é fundamental para a formação integral da criança, pois permite que ela pense, sinta, explore e se expresse de forma autêntica. Mais do que produzir algo novo, ser criativo é dar sentido ao mundo. Desde muito pequena, a criança já é curiosa, investigativa e capaz de levantar hipóteses. Quando essa capacidade é valorizada, favorecemos não apenas o desenvolvimento intelectual, mas também o emocional, social e cultural. A criatividade alimenta o desejo de aprender e prepara a criança para lidar com um mundo em constante transformação.
CANAL INFANTIL – Como a escola pode incentivar as crianças a usarem a criatividade?
JECKIANA ALVES – A escola precisa ser um espaço que valorize diferentes formas de pensar. Isso acontece quando o educador deixa de ser apenas um transmissor de respostas e passa a estimular perguntas. É importante criar ambientes ricos em possibilidades, com materiais variados, propostas investigativas e experiências que convidem à exploração, à experimentação e à autoria. Quando a criança pode testar, errar, refazer, imaginar e criar, ela se envolve de forma mais profunda no processo de aprendizagem. Assim, promovemos não apenas a aquisição de conteúdos, mas experiências significativas que ampliam seu repertório e fortalecem sua participação.
CANAL INFANTIL – E em casa, como os pais podem agir?
JECKIANA ALVES – Em casa, o mais importante é valorizar o tempo da criança, sua curiosidade e suas perguntas. Nem sempre é preciso dar respostas prontas. Muitas vezes, o mais importante é perguntar junto, escutar e demonstrar interesse genuíno pelo que a criança pensa. Oferecer materiais simples, permitir o brincar livre, incentivar o contato com a natureza e garantir momentos de convivência são atitudes que fortalecem a criatividade. Também é essencial reconhecer que a criança já pensa, sente e compreende o mundo antes mesmo da
educação formal.
CANAL INFANTIL – Vivenciar o ócio em certos momentos é importante para estimular a criatividade?
JECKIANA ALVES – Sim, o ócio é essencial. É nesse tempo aparentemente vazio que a criança organiza pensamentos, elabora experiências e cria. Quando não está sendo direcionada o tempo todo, ela tem espaço para imaginar, inventar e investigar por conta própria. O excesso de estímulos prontos pode limitar a criatividade. Já os momentos de pausa, contemplação e liberdade favorecem processos mais profundos de aprendizagem e desenvolvimento.
CANAL INFANTIL – Deixe uma mensagem para os pais.
JECKIANA ALVES – Educar é abrir caminhos para que as crianças construam sentidos, e não apenas repitam respostas. O papel dos adultos não é antecipar tudo, mas sustentar o desejo de descobrir, explorar e perguntar. Que possamos olhar para a infância com mais respeito e sensibilidade, reconhecendo que cada criança é potente e capaz de pensar o mundo à sua maneira. Que a curiosidade seja valorizada como motor da aprendizagem e que as experiências tenham mais espaço do que conteúdos prontos. A aprendizagem criativa não é um diferencial, ela é essencial para formar sujeitos críticos, sensíveis e preparados para um mundo em constante mudança.
